Papo de Mestre com Paulo Latância - Especialista em UX Design

Fonte: foto por  Sam McGhee  em  Unsplash .

Fonte: foto por Sam McGhee em Unsplash.

 

Olá, galera!

Estamos aqui com mais uma edição do Papo de Mestre! Uma entrevista com timing irregular com algum profissional fera da sua área, onde ele divide um pouco sobre sua história, conhecimento e experiências.

Eu falei mais uma edição, mas essa é a nossa primeira edição (quis dar glamour ao programa), e na entrevista de hoje entrevistamos Paulo Latância, especialista em UX Design! No momento da entrevista ele trabalhava para a Daitan Group (não é a concessionária Honda), uma empresa líder no segmento de criar softwares para empresas ainda mais líderes.

Na entrevista, Paulo contou como ingressou na área do design, falou um pouco sobre o que é UX e como a prática difere da teoria e também sobre um projeto que rende um prêmio de design.

Quer saber mais? Então continue lendo!

 
 
Fonte: foto por  Edho Pratama  em  Unsplash

Fonte: foto por Edho Pratama em Unsplash

 
 

Paulo, como você iniciou na área de design?

Quando eu estava prestes a concluir a graduação em marketing eu comecei a perceber que possuía um interesse maior por CRIAR os produtos ao invés de COMUNICAR os produtos.

Nessa mesma época eu trabalhava como designer editorial em uma empresa de educação. Meu trabalho era basicamente produzir, a partir de templates prontos, livros didáticos digitais que eram distribuídos para estudantes por meio de plataformas digitais. Embora meu trabalho fosse limitado à produção, eu nunca deixei de notar que este produto não era bom e que havia sido concebido com base em limitações técnicas e não em resposta às necessidades dos usuários.

Eu comecei a pensar como este produto poderia ser melhorado para se adequar às necessidades dos usuários a partir da análise de comentários e avaliações disponíveis em sites como Google Play Store e Reclame Aqui (já que a empresa não possuía nenhuma informação relevante sobre os padrões comportamentais dos usuários). Assim, criei meu primeiro projeto de design de produto e quebrei o ciclo “para entrar na área tem que ter experiência, mas como não sou da área, não tenho experiência”. Foi isso o que fez a diferença para eu conseguir meu primeiro emprego como designer de produto.


Se precisasse explicar em uma frase o que é UX, como diria?

User Experience é um conceito abrangente, influenciado por dezenas de fatores, que se forma através das percepções e sentimentos que as pessoas possuem ao utilizar um produto ou serviço.


Imagino que você esteja constantemente se aprimorando e estudando sobre o assunto. Você vê muitas divergências sobre UX na teoria e na prática?

Em alguns casos, sim. E de forma geral eu percebo que ainda há muito espaço para o desenvolvimento do papel dos UX Designers.

A espinha dorsal da atuação de um UX Designer deve ser a empatia e a criação de suposições a partir do que foi aprendido por meio da observação e conversas com os usuários. As habilidades em prototipar, manusear os softwares e criar elementos visualmente agradáveis devem ser complementos a essa espinha dorsal, mas não o foco principal da atuação.

Como o próprio termo “User Experience” sugere, se o processo não envolve os usuários, não faz sentido chamar de UX. E é justamente neste ponto que reside o espaço para os UX Designers amadurecerem.

Uma reflexão que eu sempre costumo trazer à minha atuação é: o que eu posso fazer para conseguir passar menos tempo produzindo as minhas suposições (isto é, criando as interfaces), e mais tempo colocando-as na frente dos usuários (isto é, pesquisando e fazendo testes)?


Você que trabalha diariamente na área e possui os feedbacks, quais as vantagens de uma empresa investir na experiência do usuário?

A vantagem mais clara é que as empresas que realmente investem em experiência do usuário conseguem encantar as pessoas. Com o tempo, isso cria consumidores fiéis à marca que recomendam o produto para outras pessoas espontaneamente.

Uma outra grande vantagem é que o investimento na experiência do usuário acaba gerando reduções em outros tipos de custos. Por exemplo, no caso de produtos digitais, o design bem feito durante a fase pré-desenvolvimento reduz drasticamente os custos com retrabalhos na fase pós-desenvolvimento. É muito mais barato errar e aprimorar um produto quando ele ainda é um protótipo do que quando ele já está desenvolvido.


Nós já falamos aqui no site e adoraríamos uma opinião externa. UX é reservado ao mundo digital ou não?

De forma alguma UX se limita ao mundo digital.

Pode soar estranho, mas alguns princípios primordiais de design de interação (que é um dos fatores que compõem a experiência do usuário) são os mesmos se você estiver projetando um app para smartphone ou um eletrodoméstico. Um exemplo disso é quando você lida com uma interação que pode produzir dois resultados diferentes a depender do estado atual do sistema.

Obviamente os produtos digitais e os produtos “físicos” possuem suas próprias características que impactam em como lidar com esse tipo de situação. Mas por ambos os casos se tratar essencialmente de “uma pessoa interagindo com um objeto”, podemos também identificar muitos pontos em comum na análise.

A abordagem Design Thinking também é ótima para explicar as semelhanças entre o design de produtos digitais e “físicos”. As etapas da abordagem - imersão, ideação, prototipação, validação - podem ser aplicadas para qualquer tipo de produto ou serviço, seja digital ou não.


Ficamos sabendo que você participou de um projeto que recentemente completou um ano e rendeu à equipe um prêmio de design. Qual foi a participação do design nesse projeto?

Participar deste projeto foi algo muito enriquecedor em minha carreira. Provavelmente foi o período em que meus conhecimentos e habilidades como designer mais se expandiram, abrindo várias portas para as etapas seguintes da minha carreira.

O projeto tratou-se da concepção e desenvolvimento de produtos digitais de ouvidoria e transparência para o Governo do Estado do Ceará e a premiação foi uma mera consequência da forma como o projeto foi realizado.

Metodologias de design centrado no usuário estiveram presentes do início ao fim. O mérito disso está na forte cultura de design da Caiena, a empresa que realizou o projeto. Eu me considero privilegiado por ter tido a oportunidade de ser um dos catalisadores desse processo.

Como o projeto é muito grande, fica difícil resumir a participação de design em poucas frases. Recentemente eu escrevi um texto que traz mais detalhes sobre a experiência de ter trabalhado como designer neste projeto: Giving the population of Ceará better access to public services — a UX case study.

Hugo Pereira (engenheiro de software), Donaldo (testador com deficiência visual) e Paulo Latância durante uma sessão de teste do portal. Fonte: Banco de dados da  Caiena .

Hugo Pereira (engenheiro de software), Donaldo (testador com deficiência visual) e Paulo Latância durante uma sessão de teste do portal. Fonte: Banco de dados da Caiena.

Você diria que hoje em dia investir em design, investir na experiência do usuário, é luxo ou necessidade?

Conforme os mercados se tornam mais competitivos, as empresas vão cada vez mais compreender que design é necessidade. As empresas que realmente investirem na experiência de seus usuários estarão vários passos à frente das concorrentes que, consequentemente, precisarão seguir a mesma abordagem caso queiram sobreviver.

Nos últimos anos, UX se tornou uma tendência e, por esse motivo, algumas empresas ainda encaram a experiência do usuário como “luxo”, (embora por vezes nem se deem conta disso). Mas eu acredito que é uma questão de tempo para que, mesmo nesses casos, UX passe de luxo a necessidade no momento em que um dos concorrentes atuantes no mercado der um passo à frente e incorporar a experiência do usuário em sua cultura.


E aí, gostaram? Querem mais entrevistas? Quem ou qual cargo recomendaria?

Escreva nos comentários!