Qual a diferença entre UX e UI e por que seu produto precisa dos dois?

Fonte: foto por  Ben Kolde  em  Unsplash

Fonte: foto por Ben Kolde em Unsplash

 

Você já deve ter visto nos cargos de muitas pessoas no LinkedIn a função de UI/UX Designer e no portfolio dessas, imagens de websites, portais, plataformas digitais e derivados. Sim, dentro da competência de um UI ou UX Designer existe a proficiência em criar sites, mas será que é reservada apenas a isso? Aliás, o que seria UI e UX?

Vamos explicar aqui a diferença  entre os dois, mas mostrar que apesar de serem  vistos como disciplinas distintas, elas andam de mão dadas e necessitam de sinergia entre si. Também mostraremos as vantagens em aplicar as técnicas de ambas para o seu produto.


A Interface do Usuário reflete a imagem do produto

 
 
Fonte: foto por  Daniel Korpai  em  Unsplash

Fonte: foto por Daniel Korpai em Unsplash

 
 

UI, também conhecido como User Interface, é como dita seu nome, a interface do produto.

São todos os elementos visuais de uma plataforma. São os ícones, os botões, as cores, fontes, formatos das janelas, diagramação dos elementos e outras características desse contexto. O designer é responsável em transformar wireframes em telas artisticamente agradáveis na aparência e principalmente em seu uso. Ao usar um produto, a régua do padrão aceitável está crescendo gradativamente e se seu produto não atende as mínimas expectativas, outro no mercado irá.

Outra das responsabilidades do designer de interfaces, junto com o de experiência, é pela usabilidade de um produto, garantindo que ele seja eficiente e didático. Se o botão de voltar em aplicativos mobiles geralmente estão do lado esquerdo, por que colocá-los no topo e em um formato quadrado? Se normalmente o botão de cancelar tem um tom avermelhado, se colocarmos em verde, não poderia confundir o usuário? "Mas estou fazendo uma interface para o Santander e sua identidade visual é predominantemente vermelha!" - Ok, é um bom ponto! Seguir a identidade visual de uma marca também é competência do designer de interfaces, nesse caso seria necessário um papo entre designer de interface e de experiência para decidir qual seria a aplicação ideal e claro, posteriormente, testes com usuários para validar a ideia. Lembrando que, os usuários de hoje em dia já estão acostumados com uma usabilidade padrão e trocar ela pode ser a diferença entre uma inovação a la Steve Jobs ou a morte precoce do seu produto.

Jakob Nielsen e suas heuristicas explicam o porquê devemos seguir certos padrões visuais para garantir a usabilidade dos produtos, mantendo consistência e familiaridade. Futuramente criaremos um artigo nos aprofundando nesse assunto.

A Experiência do Usuário reflete a percepção do usuário ao utilizar o seu produto

Fonte: foto por  José Alejandro Cuffia  em  Unsplash

Fonte: foto por José Alejandro Cuffia em Unsplash

Já falamos bastante sobre experiência por aqui e você sabe o quanto prezamos por ela e o quão importante consideramos sua existência no dia a dia das pessoas. O que vamos falar aqui é sua ligação direta com o UI e como muitos UI/UX Designers nem sempre fazem o esforço do X.

UX é sobre o sentimento que o usuário sente em usar o seu produto. Vamos supor que você criou um e-commerce de comida para cachorros. Um usuário acessa o seu site e vai no campo de pesquisa procurar ração para filhotes de Pitbull. Eu não sou expert em cachorros, então não sei se existe de fato rações específicas para raças, mas por título de explicação, vamos fingir que sim.

Quando ele pesquisa, aparece ordenado as melhores rações para filhotes de Pitbull, por ordem de mais comprados, classificação e comentários. O usuário clica, escolhe a quantidade, decide o local de entrega, põe a forma de pagamento e pronto, compra feita. Tudo ok? Tudo ok!

Agora, imagine a mesma situação, mas quando o usuário pesquisa por ração para filhote de Pitbull ele entra em outra tela para filtrar novamente. Ele filtra e não aparece suas rações, mas várias aleatórias. Ele clica em uma ração para ter mais detalhes, abre outra tela e na descrição diz que é destinada para cachorros de porte grande com mais de 7 anos de idade. Não sei até quando um Pitbull cresce, mas creio que filhotes tem menos de 7 anos. 

O que acontece? Ele decide voltar para a parte de pesquisa e descobre que perdeu seu filtro. Novamente, adiciona o filtro. Clica em outra ração e a descrição não bate com sua pesquisa. Frustrado, volta novamente e tenta uma última vez e por sorte do cliente, ele encontra uma ração para filhotes em geral. Ele decide comprar um pacote e vai ao carrinho. Quando ele chega no carrinho, a ração não está lá. Ele volta, clica de novo e por fim ela aparece. Ele vai pagar e não tem opção de crédito, só PayPal de quem reside na Bélgica e por ai vai.

Deu pra entender onde eu quero chegar? A plataforma pode ser bonita, ter um visual digno de Cannes e uma usabilidade familiar. Mas se ela não atender as exigência básicas do usuário, demandar mais passos para uma ação do que necessário ou causar errinhos comuns que o frustram, ele certamente vai evitar usar ela na próxima vez.


Tanto UI como UX é importante para o seu produto, mas as disciplinas precisam andar de mãos dadas

Fonte: foto por  Helloquence  em  Unsplash

Fonte: foto por Helloquence em Unsplash

Não queremos evangelizar ou ficar apontando qual termo está correto ou errado, mas quando Don Norman cunhou o termo UX, a princípio seu significado abrangia todas as formas de experiência. Seja experiência do cliente, do serviço, do animal ou da inteligência artificial.

Imagina que você está em um buffet enchendo o seu prato de comida e repara que no fim da mesa uma macarronada fabulosa lhe espera. Você passa pelos tomates, pela rúcula, pela farofa, pelo queijo ralado e chega à macarronada. Coloca duas, três colheradas de respeito de macarrão. Porém, não sei vocês, mas nós adoramos um queijo ralado na macarronada. Então quando vamos pegar o queijo ralado, reparamos que a fila atrás de nós está andando e não conseguimos voltar. Aliás, claro que conseguimos, mas isso vai atrapalhar todo mundo e nos tornar inconveniente. Mas não apenas nós, mas todos aqueles que também queriam o queijo ralado.

Isso é experiência! Não tem nada a ver com o mundo digital, mas da forma que o buffet foi disposto, está causando uma má experiência. Podem existir motivos plausíveis para o queijo ralado estar antes da macarronada, como está em falta no estoque e portanto queriam economizar, mas nos atendo ao senso mais comum, seria ideal tê-lo colocado após a macarronada, já que usualmente as pessoas gostam de colocá-lo por cima.

Então ao invés de ficarmos debatendo o que é UX, CX, BX, Triplo X, é melhor discutirmos dentro da nossa empresa como conseguimos proporcionar uma boa experiência às pessoas. Independentemente do termo que se decidir adotar, sempre temos que ter a pessoa como o centro das nossas reflexões, afinal, é para elas que estamos criando um mundo melhor através do design.