Design

Apaixone-se pelo Problema e Não pela Solução

Nós participamos do 100 Open Startups como avaliador de Startups. Se você tem uma startup e ainda não conhece o ecossistema, vale a pena conferir! Segue o link: 100 Open Startups.

Aprendemos muito na plataforma sobre o que move um empreendedor de startup, quais suas dificuldades e desafios, como identificam os problemas que vão tentar resolver e como chegam numa solução. Dito isso, começamos a ver alguns padrões dentro das Startups.

O mais comum é o empreendedor se apaixonar perdidamente pela sua ideia, pela solução. Se apegar tanto nela, que não consegue enxergar que no momento o mercado não tem necessidade para aquela solução e ninguém se importa.

Repito: sem necessidade para aquela solução.

Mas por que eu repeti?

Porque muitas vezes, mesmo o mercado não precisando da sua ideia, o problema vai continuar!

Às vezes é mais trabalhoso aplicar sua solução e o esforço não compensa pelo resultado. Talvez você não explicou direito sua ideia e seus clientes não entenderam bem o que você quer resolver. São diversas variáveis. O ideal não é você se apaixonar pela sua ideia, mas sim pelo problema. Saber a hora certa de descartar/pivotar sua ideia, sempre almejando resolver o desafio proposta pelo qual você inicialmente se motivou.

COMO UMA STARTUP, DESCUBRA O PROBLEMA QUE VOCÊ ESTÁ ENFRENTANDO E O PÚBLICO QUE SOFRE POR CONTA DELE

Quem disse essa frase e o título do artigo foi Uri Levine, o criador do Waze. Ele ainda complementa dizendo que se você for consistente resolvendo um problema, o sucesso virá. Se quiser conferir a entrevista na íntegra: Waze cofounder: 'fall in love with the problem, not the solution'.

O problema identificado por ele e que muitos reclamavam era o trânsito. Como reduzir o trânsito? Como evitar? Como deixar de odiar tanto o trânsito? Foi dessa premissa que ele se propôs a criar uma solução para o problema do trânsito.

Carona compartilha era uma solução viável? Na época, 2008, talvez não. Nós não confiávamos tanto em pegar carona com desconhecidos como hoje, então por mais que a solução funcione hoje, na época seria um tiro no pé.

Tente você: pense numa solução, por mais fantasiosa que seja, para solucionar problemas de trânsito.

Carros voadores? Teletransportes? Trabalho remoto global por conta de uma epidemia? Limite de carros por famílias? Pedágios dentro da cidade?

Quanto mais você pensa e elabora, mais factível ela fica e mais você começa a acreditar que ela vai dar certo. Você valida ela com seus amigos, com seus familiares e até com alguns profissionais da área e começa a acreditar cada vez mais.

Ótimo, não? Você só esquece de validar com o fator mais importante na equação: o usuário.

SE NINGUÉM USA SUA SOLUÇÃO, ELA NÃO SERVE PARA NADA

Fonte: foto por Jonas Jacobsson em Unsplash

Você pode ter a melhor solução, mas se o timing não for ideal, o problema não for relevante ou seu público não entender ela, ela vai passar despercebida. Quer algo mais fácil do que desapegar de algo inútil?

Mas como saber a solução exata para um problema específico?

Você não consegue saber. Mas você pode mitigar seus erros e perdas com pesquisas e conversando com seu usuário. Startups tem em sua natureza a velocidade na entrega de soluções e resultados, mas isso não quer dizer que sempre vão acertar. Aliás, uma das frases preferidas é de uma Lean Startup é "errar rápido para corrigir rápido e aprender muito com isso.”

Não tem problema em validar sua ideia e ver que ela está errada. O problema é insistir nela como se milagrosamente a opinião do mercado vai mudar ou uma nova tecnologia vai surgir que seja adequada ao momento.

Se você tem tanto gás para acreditar na sua ideia, aplique sua motivação em outra área. Acredite na solução do problema! Com outra ideia, com uma modificação da sua ideia atual e na pior das hipóteses, em outro momento com outro problema.

Ok, mas o que a Mastery tem com isso?

Como designers, um dos nossos processos é o trabalho iterativo, onde estamos constantemente validando ideias e soluções com o mercado e refinando a partir dos feebacks. É um processo contínuo! Um produto nunca está finalizado porque as exigências dos usuários mudam. Ou você nunca viu a Netflix, Uber ou iFood atualizarem o aplicativo e criarem features novas?

Aqui uma frase do Donald Norman do seu livro Design do dia-a-dia:

"Bons designers nunca começam tentando resolver os problemas dados a eles: eles começam tentando entender quais são os problemas reais.”

Então se você entrou com sede na onda do empreendedorismo e tem motivação o suficiente para dar e vender, use e abuse dela! Entenda as pessoas, analise suas dores, veja o que as aflige no dia-a-dia (ou mesmo o que aflige você e seus conhecidos) e pense em como você pode melhorar a vida delas ao resolver essa situação.

Mas lembre-se, não se apaixone pela sua solução, apaixone-se pelo problema.


Foto da capa: foto por Dev Asangbam em Unsplash

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