Branding

5 Conceitos para Criar Uma Marca Carismática

Branding é o processo de criar e gerir sua brand, sua marca.

Mas o que é uma marca?

Resumidamente, e de acordo com Marty Neumeier, autor do Brand Gap e outros livros de branding, marca é reputação. Seja da sua empresa, a sua, de um produto ou de um serviço.

Uma das suas citações mais famosas sobre marca é: A brand is a person's gut feeling about a product, service, or organization.

Que em tradução direta seria: Uma marca é o pressentimento de uma pessoa sobre um produto, serviço ou organização.

O motivo pelo qual você compra Nike ou Apple é diferente do motivo pelo qual seu amigo ou pelo qual eu compro. Cada um tem uma motivação diferente e uma conexão com respectiva marca.

E marca carismática, o que é?

Marca carismática é, de acordo com Marty (sim, é um artigo sobre seus ensinamentos!), é um produto, serviço ou organização para qual as pessoas acreditam que não há substituto.

Pense em algum produto ou serviços de uma marca que você sempre compra, sem questionar ou sem considerar concorrentes. Pensou? Essa é uma marca carismática pra você.

E hoje vamos falar sobre 5 passos para dar início à criação de uma marca carismática.

  1. Diferenciação
  2. Colaboração
  3. Inovação
  4. Validação
  5. Cultivação

Diferenciação

Para começar a construir sua marca, responda três perguntas:

  1. Quem sou eu?
  2. O que eu faço?
  3. Por que isso importa?

Quem sou eu pode ser respondido se você for empresa, autônomo ou mesmo um produto ou serviço, é simples e direto.

O que você faz é sua função. Você pode ter uma empresa de consultoria financeira que ajuda as pessoas a diminuir os gastos, ter uma empresa de marketing digital que auxilia empresas a se posicionarem em redes sociais ou ser um produto digital que ajuda as pessoas a organizarem suas tarefas.

A terceira é a mais difícil, mas a mais importante. Ok, sua empresa ajuda as pessoas a reduzirem os gastos, mas por que alguém deveria se importar com isso? Por que escolher você e não qualquer outra consultoria financeiro?

Aqui entra o seu propósito, o seu diferencial. O que te move, porque as pessoas deveriam te pagar pela sua consultoria, qual sua história.

Uma forma boa de se diferenciar da concorrência é tendo um nicho bem específico. Você pode ser uma consultoria financeira para veterinários. "Ah, mas eu vou parar de atender todas as outras profissões?" Sim, mas você também vai eliminar 98% da concorrência.

Ou você conhece outra consultoria financeira para veterinários por aí?

Colaboração

Dificilmente você vai propagar uma marca, sua missão, visão e valores no mundo por conta própria. Para inspirar, você precisa se sentir inspirado, começa com você. Mas você precisa de ajuda para potencializar a mensagem da sua empresa.

Uma marca não é o que você fala que ela é, mas sim o que as pessoas falam o que ela é. 

Marty diz que o público decide a reputação da sua marca e cabe a você apropriar a mensagem que vai divulgar para manter essa imagem ou reconstruí-la.

Um dos trabalhos mais importantes é a colaboração entre o que ele chama de criativos e estrategistas. Os criativos cuidam da parte emocional da marca, dos seus valores, da magia e dos sentimentos que ela quer transmitir. Os estrategistas cuida da parte racional, dos benefícios que a empresa e seus produtos/serviços podem agregar ao público e do marketing em geral.

Mas tem que ter um balanço entre os departamentos. Se apenas os criativos lideram a imagem da marca, pode se apegar muito em divulgar os valores dela, mas esquecer do negócio, do rendimento que toda empresa necessita.

Da mesma forma, os estrategistas podem focar muito no marketing e em vendas que podem esquecer de se conectar e conversar com seus consumidores, não criando um público fiel e cada vez mais dificultando a venda.

Quando tem a colaboração entre ambos é que sua marca começa a ter relevância no mercado, tanto como conexão ao público como líder de vendas.

Fonte: foto por Ramón Salinero em Unsplash

Inovação

O nome já diz tudo, mas com certeza um dos conctos mais difíceis.

Se fosse fácil inovar, era só inventar produtos ou serviços que ainda não existem, mas agregam valor ao mercado, que naturalmente a empresa iria se destacar.

Mas não é, sabemos disso. E não existe uma fórmula secreta. Com a ascensão do digital, muitas empresas adaptaram seu segmento ao digitalizar as operações. Foi a ascensão das Startups. Mas mesmo as Startups hoje precisam inovar ainda mais, porque o mercado está começando a aquecer.

Como inovar? Aqui vão algumas dicas que espero que te ajude!

  • Nicho específico: Como criar um aplicativo de delivery de comida que não seja engolido pelo iFood? Um aplicativo de comida vegana para advogados. Nichos específicos costumam ser inovadores em sua área e chamar atenção do seu público.
  • Descomplicar o complicado: Bancos digitais cansaram da burocracia e dificuldades que tínhamos ao frequentar uma agência e simplificou o processo. A entrega final é a mesma, seu dinheiro sã e salvo. Mas sem (muita) dor de cabeça e burocracia.
  • Embalagens e nomes criativos: O que move as pessoas não é a razão, mas sim a emoção. Por que você compra um mouse ou uma furadeira? Poucas pessoas - em relação à quantidade de compradores - sabem as propriedades que difere um produto de outro. Então ter um nome criativo ou uma embalagem chamativa que atraia a curiosidade do seu comprador é um critério. Aliás, quando não há critério de compra, qualquer característica importa, até a cor ou nome do produto.
  • Embaixador da marca: Criar um ícone, um avatar da marca também ajuda a se conectar com seus consumidores e inovar. A Lu da Magalu é um exemplo, ela interage com você, manda parabéns, conversa e está sempre ali. Mesmo sabendo que é um bot, é um plus que os outros ecommerce não tem - por enquanto.

Existem outras maneiras, mas importante lembrar que não é uma bala de prata. Não é só porque você vai criar um banco digital para soldados ou o Tio Sam da nova geração que sua empresa vai decolar e você vai ter uma marca forte.

Mas precisamos começar de algum lugar, certo? E como sabemos se estamos indo pelo caminho ideal? Com o próximo concei.

Validação

Antigamente, a forma de comunicação da propaganda era praticamente unilateral.

Remetente -> mensagem -> destinatário.

As pessoas apenas eram espectadoras dos seus esforços de comunicação. Elas até podiam opinar entre si, mas dficilmene sua voz tinha poder.

Atualmente, a dinâmica mudou. Quem está insatisfeito com um produto, serviço ou posicionamento da sua marca, pode reclamar em diversos sites e redes sociais. E dependendo do grau da reclamação, pode ser fatal para sua empresa.

Por isso, hoje temos o famoso feedback e é a partir dele que conseguimos ir refinando e adaptando nossa mensagem, valores e até cultura da empresa. Para assim, gerar uma marca que ressoe e conecte com nosso público-alvo.

Com isso, podemos saber se estamos inovando também. Antes de investir rios de dinheiro no seu produto, em um nicho específico ou no potencial do seu serviço, converse com o mercado. Converse com seu público, ou melhor, com sua persona e entenda suas dores e como você pode aliviar ela.

Nem sempre a sua ideia, que surgiu a partir de uma dor pessoal, vai ser um problema relevante no mercado. Sabe aquele problema que você tem com seu GPS sempre te botando em umas rotas bizarras? Talvez não seja um problema para 80% dos usuários que utilizam o mesmo produto. Mas para ter certeza, abuse das redes sociais. Pergunte em grupos, faça questionários onlines, divulgue, vá em eventos, colete feedbacks.

O mais importante é validar. Aqui, falei mais sobre sua ideia, seu produto e serviço, mas você pode validar tudo. A mensagem da sua marca, os valores que você defende, a embalagem do seu produto, a cultura empregada dentro da empresa (converse com seus funcionários!) e até mesmo seu posicionamento em relação a situações como diversidade e inclusão social. 

"Mas gente, eu só quero ter uma empresa para fazer o que sei fazer e ganhar um retorno monetário em cima disso para ter uma vida confortável, não quero ser ativista ou ter uma voz no mercado."

E com isso, entramos no último conceito.

Cultivação

Nada errado em querer apenas gerir seu comércio de bairro, ganhar um dinheiro modesto e ter uma vida feliz! Mas se você chegou até aqui, é porque algo te motivou a continuar lendo e isso talvez seja a vontade de criar uma marca carismática, certo?

Se for isso, uma das coisas que você precisa entender é que seu negócio, sua empresa, sua marca, não é uma constante. Ele não apenas existe, ele vive. É flexível, se adapta às mudanças no mundo, entende o mercado, responde aos consumidores. Sua marca é um organismo vivo.

Você tem que alinhar seus valores, sua cultura e sua oferta de acordo com o mercado. Estamos vivendo uma pandemia (dia do artigo, 12/06/2020), você não teve que se adaptar ou alinhar sua comunicação para esse momento? Quantas marcas você conhece que fizeram ações para ajudar seus consumidores ou adaptaram a forma de trabalhar para contribuir com os funcionários?

Isso só tornou evidente por causa da rápida mudança de paradigmas que a pandemia causou, porque isso acontece sempre. Seja quando novas tecnologias aparecem no mercado, novos concorrentes, quando a mídia anuncia novas legislações, quando seu garoto propaganda passa por um escândalo ou quando uma ação de marketing faz sua empresa estourar na mídia.

Sempre cultivando, sempre adaptando e entendendo como sua empresa, como sua marca pode estar contribuindo com a sociedade é o segredo para que ela esteja sempre relevante e ocupando o coração e mente dos seus consumidores.

Conclusão

Essa foram os 5 conceitos que Marty sugere para fazer o seu branding e criar uma marca carismática. Não tem ordem exata e o processo não termina. Você tem que estar sempre cultivando o que te torna diferente, com quem você pode e deve colaborar, inovar para atender novas exigências do mercado e validar se está indo no caminho ideal. 

O importante é fazer tudo isso com emoção, com criatividade. Entender o que te motiva, o que te faz acordar todo dia e porque escolheu isso como sua forma de ajudar e contribuir com a sociedade. Mas nunca descartar o lado econômico da sua atividade, o lado estratégico, de marketing. Afinal, dinheiro é importante.

Como diz Simon Sinek, dinheiro é o combustível e sua empresa é o carro. Sua empresa tem um propósito, mas ela precisa de combustível para chegar lá. O propósito de um carro não é comprar combustível, o propósito de uma empresa não é fazer dinheiro. O propósito de um carro é ir até algum lugar e ele precisa de combustível para isso. O propósito da sua empresa é realizar alguma coisa, ajudar uma grande causa ou aprimorar a sociedade e o dinheiro vai te levar até lá.

Então não se sinta mal em defender uma causa, ter um propósito lindo e inspirador, mas ganhar dinheiro em cima disso. Dinheiro move empresas e muitas empresas movem as pessoas.

Referências:

Brand Gap de Marty Neumeier

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